A imensidão.
Escrevo esta carta para me lembrar de quem sou.
Para me lembrar do que sinto,
Quando senti tanto
e consegui resistir em devolver esta imensidão.
Resisti
e tanto que senti.
Foram noites e dias
em que surgiu o pensamento
e logo os sentimentos.
Como a raiva,
a paixão,
a admiração,
o ódio,
a tristeza,
o amor,
a frustração,
a perfeição,
e até mesmo a imperfeição,
a angústia de querer expressar estes sentimentos
e resistir.
Como pude sentir tanto
e resistir?
Estes sentimentos que tanto me moveram
e fizeram-me continuar a sentir viva.
Mas resisti,
resisti no silêncio da noite.
Continuo a sentir
e intensamente.
Não são só pensamentos e sentimentos,
são momentos.
Momentos eternizados
que finalmente tenho coragem de expressar.
Quero eternizar este momento.
Quero lembrar-me.
Quero saber quem sou.
E finalmente encontrar-me
em tudo o que estou a sentir.
São voltas e voltas sem saída.
É uma constante,
é o eterno.
E vou lembrar-me
do que resisto em expressar.
Não é quem.
Não é por quem.
É o que habita em mim,
sou eu.
Eu sou o eterno,
o movimento constante.
Lembrar-me do que sinto
nas voltas que não têm saída.
Converso contigo todas as noites,
para entender que nunca foi sobre alguém,
se não por mim.
E por mim resisti,
insisti em continuar a viver
esta montanha russa de sentimentos
em simultâneo.
Sou tanto no eterno
e tão pouco aqui.
Não tenciono habitar por muito mais
na constante que resiste em partilhar.
Não.
Estes sentimentos têm lugar,
têm destino.
Só resisti este tempo todo
em dar-lhe o destino.
O destino nunca foi outro,
se não aceitar o que nunca foi.
E assim devolvo esta imensidão
ao destino de aceitar
que foi uma mera ilusão
ou imaginação.
E é na imaginação
que vive o destino
e a imensidão do eterno.
Nunca e jamais
irei devolver a outro destino.
Lembrar-me que aceito
a minha capacidade de criar novos destinos.
Serei feita da eterna imaginação?
Assim sou
a criação perfeita deste destino.
Agradeço ao lugar
que me inspirou tanto
para entender
o que é eterno
e constante deste destino.
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